
Parece que o gênero de ação é o mais imune a esse “mal das continuações”. Não que não existam tosqueiras, existem muitas, mas também é inegável que boa parte de sua força vem justamente delas. E esse é uma prova viva. Uma continuação que não é apenas melhor que o primeiro, mas sim muito melhor, e muito melhor do que o que já era um PUTA filme.
Se essa resenha tem que ser de coisa ogra, então não tem representante melhor. Tanto o filme quanto o ator e personagem. Desculpa Bruce McClane Willis, desculpa Sylvester Rambo Stallone, ou Mel Riggs Gibson, mas o grande fodidão desse gênero é nosso querido e amado Arnold governadorterminatormothafucker SSSSSCHWARZNEGGER! (eu não quero pesquisar se escrevi certo, até o nome desse sujeito é do caralho, gritem SCHWARZENEGGER [/zaber] aí na frente do PC, mesmo que saia todo tosco mesmo).
Escolhi falar desse filme mas também fiquei com medo pela responsabilidade. Esse é simplesmente o filme que eu mais assisti na minha vida. Foi o primeiro que assisti em uma telona de cinema. É certamente um dos meus preferidos de sempre. Então escrever sobre ele pra mim é particularmente difícil, porque não existe uma ceninha sequer que eu não assista com um sorrisão no rosto. Mas enfim, já que escolhi agora tenho que encarar a bronca.
Quando logo no inicio vemos ele entrando nu naquele bar, com aquele olhar robótico identificando cada ser humano por questões matemáticas, pra conseguir a roupa que mais se adéqüe ao corpo dele, parece que estamos diante do velho Terminator de antes. E aquela briga apenas amplifica essa sensação. Mas então surge um gesto. Que é a representação perfeita de todo o restante do filme. O divisor de águas, que imediatamente faz tu esquecer o outro e prestar atenção nesse com olhos totalmente diferentes, totalmente empolgados, e que na hora faz teu sorrisão ir até a testa e fica impossível não gritar um “caralho, agora tudo mundou!”. E isso acontece pouco antes dele ir embora desse bar, quando encara o dono que tentou atirar nele com uma shotgun (e teve essa arma roubada), cagadinho, tremendo praquele gigante ser imponente de interior metalizado. E quando o velho Terminator parece que vai manter os velhos hábitos, ele simplesmente pega aquele óculos escuro, põe no rosto, e monta na moto. E o rock and roll começa a incendiar ao fundo. Aí ta o grande diferencial pra mim. Terminator 2 já começa contrariando todas as probabilidades. Nós temos o Schawarzenegger (o representante máximo da ação, o representante máximo da ogritude), interpretando um robô, interpretando um robô deslocado do seu tempo, interpretando um robô deslocado do seu tempo com uma expressão praticamente engessada... E mesmo assim esse cara consegue pulsar carisma. Em apenas alguns minutos em cena ele praticamente destrói aquela imagem do exterminador frio e implacável do outro filme, pra algo que a gente pense “esse cara é FODA DEMAIS!”, e torcer desesperadamente por suas ações. Com um gesto. E eu acho que o cinema é realmente feito disso. O grande cinema pelo menos. É em pequenos gestos que toda a diferença pode ser feita.
E pra confrontar esse vulcão de fodidisse metálica temos o magricelo do Robert Patrick. Ah, mas aí a missão é ingrata. Porra, o cara é simplesmente um dos maiores heróis do cinema, pra rivalizar de forma parelha só com um dos melhores vilões... E pqp, o Cameron consegue de novo! O T-1000 não é só apenas um bom rival, mas sim o melhor possível. Um vilão monstruosamente implacável, que faz de sua ameaça algo realmente a se temer. O filme vira praticamente a mais insana e divertida perseguição de gato e rato da história do cinema, sendo que aqui esse gato e rato são dois cyborgues do futuro se digladiando por toda a cidade no confronto mais épico que eu já tenha visto. Seja naquela maravilhosa cena da perseguição do caminhão contra a moto. Ou no resgate da Sara Connor na cadeia (cara, ela saindo deslizando pelo chão do corredor em câmera lenta, ficando de frente ao monstro que atormentou cada noite de sono dela naquele hospício, enquanto ele levanta aquela shotgun e avança implacavelmente em direção dela, e do outro lado o T-1000 avançando mais imponente ainda, mais ameaçador... Ahh, porra, isso é épico, histórico, uma das cenas mais clássicas que essa arte proporcionou). Ou então a caçada final naquele inferno de lava, e quando tudo se resolve o Terminator revela que ainda existe uma ultima coisa a fazer. A coisa mais amarga naquela situação. E então como cena final temos aquele polegar levantando em positivo antes de desaparecer na lava... Putz. Sério, eu já devo ter visto esse filme umas 50 vezes (e não estou contando de forma exagerada, deve ser mais ou menos isso), e vez sim e vez não uma lágrima escorre quando aquele polegar se levanta. Mais um pequeno gesto. Um pequeno diferencial que difere um bom filme dos geniais, dos grandes, dos que realmente ficam marcados na história. E Terminator 2 é recheado disso.
Esse é o grande filme de ação de todos os tempos pra mim.