sábado, 10 de outubro de 2009

A Vila (M. Night Shyamalan, 2004) - 10




Vou ignorar alguns pontos qu gostei bastante pra priorizar o que realmente gostei, que foi esse indiano criando um dos romances mais bonitos que conheço em um ambiente horripilante. Quando o william hurt revela pra todos que vai deixar a filha cega entrar na floresta pra buscar os medicamentos, ele coloca em sua defesa a palavra "inocência", que esse é o objetivo daquilo tudo, que sem isso nada ali faria sentido, e de todos os objetivos que eles tentaram buscar com a farsa, acho que esse deve ser o único que foi realmente na mosca. O que eles conseguiram criar ali foi um conto de fadas, um lugar acalorado, habitado por pessoas sem maldade, ingenuas, sinceras... Perfeitas pra fantasia que inventaram, e totalmente inadequadas pra onde realmente vivem. É simplesmente lindo ver o romance do Lucius e Ivy sendo revelado aos poucos, de forma timida, ingênua, de certa forma boba, e tudo isso em volta daqueles muros erguidos com o medo de cada um daquele lugar. Os anciões atingem o objetivo de criar pessoas boas, totalmente inclinadas para o bem, e os jogam em um mundo onde devem conviver diariamente com o medo, com a insegurança, com monstros de garras gigantes, com a fragilidade da medicina local e etc. E claro que a inevitavel tristeza invade o lugar, não tem como fugir disso, a diferença é que essa inocência forçada que habita cada um deles apenas torna tudo mais terrível. Na tentativa que tiveram com a criação do local em diminuir a dor, eles diminuem todo o resto, inclusive o preparo, eles podem ser pessoas feitas prinicipalmente de amor e bláblá, mas óbvio que isso não é o suficiente pra viver no mundo real. E mesmo assim a garota cega corre pela floresta, enfrenta a podridão, o medo, a incapacidade fisica que poderia ter sido evitada... Tudo isso pra salvar quem ela ama. É triste, mas é bonito pacas.

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