terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Harry Potter e a Ordem da Fênix (David Yates, 2007)


Tentei olhar com a maior boa vontade, apagar a impressão de bomba que tinha tido alguns anos atrás, mas não rolou. Se eu achei os dois primeiros divertidos, e os dois a seguir ótimos, esse aqui mancha a imagem da série de forma bem fedorenta, ele é horroroso. O cara até que tentou seguir um modelo parecido com o do Cuarón e do Newell, de um universo mais dark e mais adulto (até pq nem tem mais como ser diferente disso), o filme consegue ter uma foto bonita, consegue ter alguns planos interessantes (apesar de bem inferiores aos dois anteriores), só que em ritmo, fluidez, e, principalmente, na capacidade de fazer com que tu sinta qualquer emoção ao assistir aquela cena, ele falha vexaminosamente. Isso aqui é didático demais. Todos os personagens aparecem apenas pra cumprir uma função narrativa de passar a informação de modo que a história possa evoluir. Ele não cria emoções, ele apenas explica. O ápice disso é a morte do próprio Sirius, se em Azkaban ele só precisou de alguns minutos pra se tornar um dos personagens mais bacanas da série, aqui ele é tão superficialmente explorado que a morte dele não desperta o mínimo de comoção. Ela é fria, o filme todo é frio. Esse diretor parece não entender a diferença entre cinema e fotografia. Esteticamente esse aqui é uma joinha, mas narrativamente é um troço arrastado dos diabo e sem emoção alguma. Ok que o Cuarón e o Newell tentaram levar a série pra um outro nível com uma direção mais rebuscada, só que eles nunca esqueceram da narrativa. E mesmo os do Columbus sendo nitidamente inferiores na composição de planos e tudo mais, pelo menos ainda são uma delicinha de assistir.

E tinha parado por aqui, tinha assistido até o 5 e nada mais. Próxima semana começo com os inéditos pra mim, mas deu a impressão que esse cara arruinou a série. Tomara que eu me engane.

Um comentário:

Pri Zorzi disse...

Esse cara arruinou a série e tomara que ele morra. Eu acho esse aqui o mais desgraçado de todos, mas o sexto não se salva muito, não.

O foda é que o livro é delicioso (ao menos pra mim) e nele a morte do Sirius é emocionante. Aqui no filme ficou tudo mecânico, sem vida, nenhum personagem é explorado direito. Mesmo o Harry, o protagonista, é uma bichinha reclamona.

A história é toda picotada, e apesar de ela ser plausível, não flui bem. O que me dá nos nervos é essa mania dele de colocar os personagens pra "descreverem" o que eles estão sentindo de forma mecânica, como se não tivesse como o espectador sentir isso sozinho e alguém precisasse avisar ele.

Outra coisa que me dá nos nervos é aqueles malditos flashes do Voldemort fazendo careta ou aqueles sonhos que não fazem sentido algum. O cara acha que colocando uma sucessão epilética de imagens ele vai fazer algo legal, mas é só uma sucessão epilética de imagens.

Eu limparia minha bunda com esse filme se pudesse.