
Que baita surpresa mesmo! Eu lembro que a ultima vez que tinha assistido esse filme foi lá pelos meus nove anos, na net, dublado, e com várias pessoas em volta. Óbvio que no momento foi apenas um filme divertido, assim como a maioria do John Hughes é. Mas eu não fazia idéia de que ele ia tão fundo, de que ele seria um dos mais bem sucedidos a cavocar nesse poço de angustia que é a vida adolescente em sua transformação. Se Curtindo a Vida Adoidado faz muito bem (e faz mesmo) em criar esse clima incrível de êxtase absoluto, de diversão máxima, o aproveitar até a ultima gota, mas também sempre lhe deixando aquele amargo em saber que o que está ali na frente é um precipício que te leva diretamente para fora dela, para o inicio do cessar absoluto... Isso parece brincadeira de criança comparado ao que The Breakfest Club faz, não só tematicamente, mas principalmente no executar de tudo. Aqui eles falam do lado menos glamourizado dessa época. De adolescentes que não se sentiriam confortáveis em sair cantando Twist and Shout na rua já que não encontrariam ninguém que os acompanhasse. Realmente nem teriam o que comemorar, o que sentir falta, já que suas casas estão sendo tomadas por um furacão incessante que a única coisa que faz é devastá-los cada dia um pouco mais. A adolescência também pode ser uma merda bem fedorenta, aliás, é bem mais provável que seja, e eu realmente me surpreendi que uma das maiores autoridades da adolescência ideal de sessão da tarde, seja quem tenha mostrado o outro lado de forma mais eficiente, mais sensível e assustadoramente real que eu tenha visto no cinema. Não se tem uma idéia real de o que eles estão passando seja necessariamente o que acontece em casa, mas isso não importa, e sim o que eles realmente estão sentindo. Cada um deles carrega uma angustia profunda e sobre-humana, mesmo que o exagero da idade ajude a amplificá-las. E o momento em que cada um começa a falar do motivo que os levou até ali fica sendo um dos mais sensíveis momentos de confidência que o cinema já proporcionou. E mesmo que uma ou outra coisa seja condenável, fica impossível julgá-los, aliás, depois de um tempo fica impossível julgar cada traço defeituoso de suas características, já que seria impossível mesmo eles serem diferentes tendo em vista o ambiente em que cresceram, e a sensação é de que se saíram muito bem. Mas o filme é amargo, e fica cada vez mais amargo conforme o tempo passa. Mas apenas o fator de estarem ali, e de conseguirem se abrir naquele local tão incomum com aquele momento tão incomum, já dá uma centelha de esperança. Até porque não fica claro se eles vão realmente voltar a se falar, ou se aquilo foi um momento proporcionado pela explosão emocional que aconteceu naquele microcosmo. Mas com certeza aquele explosão foi fundamental pra cada um deles.
Dos que eu vi do diretor, esse aqui chega a ser disparado o melhor. Mas é tão tão superior a qualquer outro que vira covardia, e eu adoro Curtindo a Vida Adoidado.
Dos que eu vi do diretor, esse aqui chega a ser disparado o melhor. Mas é tão tão superior a qualquer outro que vira covardia, e eu adoro Curtindo a Vida Adoidado.

Um comentário:
Te ouvir elogiando tanto o filme me deu vontade de rever... Assisti ele pela primeira e única vez já faz um tempo, lá em 2007. Mas concordo com o que tu disse sobre a forma de o filme retratar a adolescência... As pessoas costumam glamourizar tanto a juventude que se esquecem que essa fase é bem complicada. E o filme mostra isso de uma maneira bacana, nada de dramalhões excessivos, só aquela coisa bem sensível e humana, de uma adolescência que tem seus pontos positivos e negativos, sua riqueza própria. Enfim, é bacana mesmo.
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