segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Assassino da Furadeira (Abel Ferrara, 1979) - 10


Finalmente vi esse. Não é só o Ferrara mais surtado, mas sim um dos filmes mais surtados que assisti. Ninguém cria um mundo tão podre quanto o Ferrara, mas depois de ver esse aqui da pra notar que ele até se conteu nesse sentido nos filmes posteriores. Na verdade ele cria quase um universo alternativo, onde a podridão, irracionalidade, perversão etc não são apenas as caracteristicas mais evidentes, mas sim as únicas possíveis. É um mundo morto, coberto por lama, quase que uma conexão com o inferno já contagiada. E aquela furadeira perfurando corpos gratuitamente. É muito do mal, é como se fosse aquela murrinha que fica acumulada na piça, nojento, fedorento. Só que ao contrário disso chega a ser op. Quem não gosta desse é mulherzinha ou uma bichinha louca.

Dog Soldiers (Neil Marshall, 2002) - 10


putz, esse cara sabe criar tensão! e tava falando com o araujo ontem no msn, que estilo forte, marcante, em pouco tempo tu reconhece o sujeito de abismo do medo. aqui ele constrói todo o seu clima em uma espécie de night of the living dead mais porra loucona, mostra os lobinhos sempre com uma imponência assustadora, nunca gratuitamente, sempre passando a sensação de "ih, fudeu" toda vez que eles aparecem. Consegue usar toda a limitação do ambiente como um amplificador de tensão, é como se aquela casa fosse feita de isopor, e os lobinhos pudessem derruba-la com um sopro (hãhã), faz com que tu se preocupe tanto com a munição quanto eles próprio, repare em cada janela, fresta... E mesmo adorando Abismo do Medo, esse aqui chega a ser bem superior em todos os sentidos. Além de tudo, esse negócio é elegante demais. A selvageria rola solta, sim, tripas e etc (aliás, tem uma cena envolvendo tripas que é genial), mas no meio de tudo isso ele ainda consegue espaço, pra, por exemplo, pausar o filme e fazer um personagem tocar piano enquanto ele desfila com a câmera do lado de fora, mostrando a lua refletindo uma luz azul sobre a névoa, enquanto o uivo dos lóbisomens parecem acompanhar a música, e isso não parece deslocado, já que logo em seguida mostra todo o peso de cada sobrevivente naquela cabana, dando uma impressão de conformismo com a morte arrepiante. É alto nível isso aqui mesmo, tem cenas excepcionais. olha, entre os 10, 15 melhores da década, por aí, não acho que to exagerando. Isso aqui vai muito além de Abismo do Medo.

Recentes.




Vou começar a acumular os filmes que tenha visto aqui, com comentário ou não. Em negrito e na foto, o melhor.


01. 500 Dias com Ela (Marc Webb, 2009) - 10
02. Adventureland (Greg Mottola, 2009) - 10
03. Zombieland (Ruben Fleischer, 2009) - 10
04. Eu Te Amo, Cara (John Hamburg, 2009) - 10
05. Jogos Mortais VI (Kevin Greutert, 2009) - 5
06. Dog Soldiers (Neil Marshall, 2002) - 10
07. O Assassino da Furadeira (Abel Ferrara, 1979) - 10

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) - 10


Ta, depois de baixar um pouco a poeira, esfriar um pouquinho ele, to em melhores condições pra comentar algo do filme (mas bem pouco, pq se for falar de tudo que gostei ninguém iria ler mesmo). É, o cara tava completamente apaixonado aqui. Falar de maturidade no cinema é estranho, dizer que esse aqui é um tarantino bem menos narciso que os outros pode soar errado, ele não abandonou a própria lambição enquanto se assiste na frente de um espelho, ta tudo ali, no mesmo lugar onde deixou em kill bill, pulp, death, etc... E talvez em até uma escala maior. Mas é inegável que ele também evoluiu pra um outro nível,em qualquer outro filme se via um tarantino amante do cinema, da sua própria genialidade, de seu ego... agora vemos um cara também apaixonado pelo processo, pelo simples prazer de criar a imagem. Diferente de Kill Bill, onde ele estrutura todo seu filme em capitulos pra alcançar uma coerencia narrativa mais sólida, em contar realmente a história da noiva e sua vingança. Aqui eu vejo praticamente um foda-se pra isso, é um cara se entregando de corpo e alma desde o primeiro segundo do seu filme para intensificar cada frame que filma. Pegando o inicio como exemplo, ok que ele vai explodir mais adiante, que é parte essencial também pra história que ele quer contar, mas também pode ser considerado como um filme a parte. Toda aquela cena tem vida própria, independente do que aconteça mais a frente. o tarantino praticamente caminha pé por pé naquele microcosmo que criou onde os dois homens conversam, ele da voltas com sua câmera, nos faz prestar atenção nas janelas, na tensão de que algo possa aparecer atrás delas, ou saltar, ou se revelar. mesmo que nao tenha nada, e seja bobagem pensar que sim. Ele nos apresenta 3 personagens femininas que não abrem a boca, coloca um certo grau de profundidade em uma delas, como se fosse diferente das outras duas, apenas com expressões, sugere que mais pra frente isso vai ser desenvolvido, mas abandona completamente. Ele faz isso apenas pra deixar aquele momento mais orgânico, mais vivo. Ele não abandona a imagem por conseguir o efeito narrativo que deseja, ele vive ela, ele suga até a última gota, tudo o que aquele momento pode proporcionar. Ele passa a mensagem para o personagem, ao mesmo tempo que conversa com quem está do outro lado da tela, apenas pq pode fazer isso, pq o cinema o permite. Não faz questão alguma de humanizar ninguém, não faz questão de deixar ninguém preso, mergulhando na história, ele só faz questão de mostrar que aquilo é CINEMA. De mostrar a força que uma imagem pode carregar, de amamenta-la até que exploda, que não existe limitações pra isso, e o quanto pode ser empolgante a imagem, simplesmente ela. É um brinde do Tarantino, um brinde ao cinema, principalmente a imagem, e diria que o melhor que já assisti.

E tem o Christoph Waltz, que com a melhor atuação do cinema faz o melhor personagem, só.

sábado, 10 de outubro de 2009

A Vila (M. Night Shyamalan, 2004) - 10




Vou ignorar alguns pontos qu gostei bastante pra priorizar o que realmente gostei, que foi esse indiano criando um dos romances mais bonitos que conheço em um ambiente horripilante. Quando o william hurt revela pra todos que vai deixar a filha cega entrar na floresta pra buscar os medicamentos, ele coloca em sua defesa a palavra "inocência", que esse é o objetivo daquilo tudo, que sem isso nada ali faria sentido, e de todos os objetivos que eles tentaram buscar com a farsa, acho que esse deve ser o único que foi realmente na mosca. O que eles conseguiram criar ali foi um conto de fadas, um lugar acalorado, habitado por pessoas sem maldade, ingenuas, sinceras... Perfeitas pra fantasia que inventaram, e totalmente inadequadas pra onde realmente vivem. É simplesmente lindo ver o romance do Lucius e Ivy sendo revelado aos poucos, de forma timida, ingênua, de certa forma boba, e tudo isso em volta daqueles muros erguidos com o medo de cada um daquele lugar. Os anciões atingem o objetivo de criar pessoas boas, totalmente inclinadas para o bem, e os jogam em um mundo onde devem conviver diariamente com o medo, com a insegurança, com monstros de garras gigantes, com a fragilidade da medicina local e etc. E claro que a inevitavel tristeza invade o lugar, não tem como fugir disso, a diferença é que essa inocência forçada que habita cada um deles apenas torna tudo mais terrível. Na tentativa que tiveram com a criação do local em diminuir a dor, eles diminuem todo o resto, inclusive o preparo, eles podem ser pessoas feitas prinicipalmente de amor e bláblá, mas óbvio que isso não é o suficiente pra viver no mundo real. E mesmo assim a garota cega corre pela floresta, enfrenta a podridão, o medo, a incapacidade fisica que poderia ter sido evitada... Tudo isso pra salvar quem ela ama. É triste, mas é bonito pacas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Hospedeiro (Bong Joon-ho, 2006) - 10


Depois que terminei de assistir esse filme fui logo tentando conter o entusiasmo, evitei ficar imaginando o nível de empolgação que ele poderia ter despertado em mim, me contentei apenas em lembrar de cenas isoladas, sem precisar enxerga-lo como um todo, mesmo sem ter uma compreensão melhor do que tinha acabado de assistir, depois faria isso. Basicamente esfriei ele e fui fazer outra coisa, pra não cair em uma falsa empolgação e atira-lo em um patamar onde não está, como aconteceu com Filhos da Esperança, filme que eu surtei quando terminei de assistir e depois caiu vergonhosamente (mesmo ainda achando bom, só que nem perto do que imaginei no inicio). Fiz isso pq a sensação que senti ao terminar esse foi muito semelhante com a vez em que terminei o do Cuarón.

Então o processo de digestão com esse aí foi diferente pra mim, como falei ali, não me interessei no momento em me aprofundar de uma forma mais ampla no que tudo aquilo ali tinha me dito, me limitei a curtir e deliciar especialmente com todo o caráter visual da coisa, desde o momento em que o monstro aparece como uma simples mancha negra quase que imperceptivel dentro da água, ou quando fica encolhido quase que no formato de um casulo embaixo da ponte, até a batalha no meio daquele caos de fumaça amarela. Isso aqui é tão bem filmado que da vontade de ficar revendo certas cenas sem parar. Não falo apenas em movimentos de câmera, enquadramentos e etc, mas isso tudo sendo posto em pratica em um dos ambientes fisicos mais geniais que pude conferir (eu diria que é o mais). A atmosfera criada naquele local é um personagem a mais no filme, a ambientação onde ocorre tudo aquilo passa ser parte essêncial, tão importante quanto o monstro, tão importante quanto qualquer outro personagem. Pra se ter uma idéia, é a mesma coisa que pensar em Chaves fora da vila. Não da. Aquele cenário ganhou vida própria, é orgânico, ele pulsa. Se resolvessem voltar a produzir aquilo em algum outro condominio, não daria certo, ali era a casa perfeita pra eles. Esse lago, esse encanamento, essa toquinha do bichão, é a embalagem perfeita pro filme, tem tanta vida quanto o monstro, chega a brilhar a coisa. Poucas vezes eu vi um ambiente tão bem utilizado, que na metade do filme tu já estivesse familiarizado com os arredores, em uma espécie de aconchego até. Talvez coisa semelhante eu tenha visto em Dogville, Querida Wendy, Sinais, A Dama na Água, Stalker... Mais alguns até, mas nada com a intensidade desse aqui. É demais.

una isso com a capacidade insana desse japa em criar cenas de ação visualmente lindas com uma dramaticidade empolgante. Aliás, aí ta um grande diferencial desse pra maioria dos catastrofes, o filme é muito mais drama do que qualquer outra coisa. Se tu pegar um Independence Day, Cloverfield, Guerra dos Mundos, sei lá, onde o foco é a ameaça contra o mundo, e os personagens especificos presos nesse universo fugindo também dessa ameaça.. aqui é diferente, fica tudo mais limitado. Aqui é foda-se o mundo, o que importa é a familia. Na verdade é totalmente pessoal, família x monstro, chegando a ser uma questão de honra, todas as consequências externas deixam de ser importantes pra desenvolver exclusivamente os objetivos de resgate deles. Mais ou menos como se caso isso fosse conquistado, dane-se o que aconteceria depois. Acontece que isso é muito mais arriscado, e pra conseguir se sair bem nessa, apenas criando um núcleo de personagens extremamente eficientes. E pqp, vendo isso, fica difícil saber onde esse cara acerta mais nesse filme. Todos os personagens, tanto os que partem para o resgate quanto os que esperam por ele, praticamente nascem inesqueciveís. Ele adota na criação deles uma personalidade infantil, escrachada, dando caracteristicas e habilidades semelhantes até as de personagens de anime, onde o humor e a ingenuídade prevalecem, e conseguindo inserir isso no universo do filme de uma forma que sempre faça as emoções oscilarem para os dois lados, como sentir o lado amargo que os personagens vivem, como também rir com eles, a cena do velória é perfeita pra ilustrar isso.

É praticamente uma fábula moderna, da familia que vai em resgate da garotinha na toca do peixe gigante. E no final, as consquências disso tudo, é as recompensas que cada um consegue, é dos momentos mais bonitos do cinema.

Sem medo de me enganar como com Filhos da Esperança, um dos 20 melhores filmes que assisti.

domingo, 13 de setembro de 2009

Audition (Takashi Miike, 1999) - 10



Talvez quando se pense nesse filme, pra maioria o que venha imediatamente na cabeça são os 10 minutos finais e toda a selvageria dele, e realmente seriam dignos pra isso. Mas comigo foi outra. Essa cena aí, a garota sentada, com os cabelos acobertando o rosto, imóvel, em um ritual silêncioso de atração macabra. Até que tudo é interrompido pelo som do telefone, e um certo objeto em cena se move. Então se vê um rosto seco como gesso, se contorcendo no sorriso mais diabólico visto nessa arte. O que esse japinha conseque aqui é violento.