
Tem spoilers pra caramba, então quem não assistiu ainda não leia.
Que maravilha que é esse filme. De um simples e bom thriller policial, ele se transforma em uma caminhada bizarra pelos corredores daquela mente surtada. A forma que o Scorsa faz essa transição é absurdamente genial, não esconde o jogo pra maximizar o impacto final, pelo contrário, pouco antes da metade ele já começa a derrubar praticamente todas as camadas, fazendo com que a realidade que o personagem criou comece a derreter diante dos nossos olhos, calmamente. O equilibrio vai desmoronando, de uma hora pra outra ele começa a vestir aquelas roupas brancas e parece totalmente enquadrado no local. De uma hora pra outra os surtos de dores de cabeça revelam algo bem mais doentio, bem mais podre escorrendo por aquele cérebro. De uma hora pra outra nos damos conta que aquele cara é doente, e quando isso finalmente acontece, o Scorsa já nos colocou faz tempo dentro daquele mente afetada. E lá dentro é um terror, o Scorsa vai fundo, cria cenas de uma força extrema. É classudo demais isso aqui, a cena em que o DiCaprio fuma um cigarro dentro da sala do diretor, e logo em seguida alucina com a imagem da mulher com os três filhos caídos aos seus pés, mortos, putz, é dos momentos mais fantásticos da filmografia desse cara. A ala C consegue ser mais aterradora do que os boatos sugestionavam, o ninho perfeito pra abrigar aquela loucura descontrolada. E o final é uma coisa linda demais, tanto visualmente quanto na força do impacto da mensagem. Isso aqui ta no nível de qualquer um dos considerados grandes do Scorsa. Por enquanto melhor filme do ano, tranquilamente.

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