
Putz, esse filme é bastante forte, bem mais do que eu pensei que poderia ser. E um dos maiores méritos do Demme é aquela câmera indiscreta, e tão inquieta quanto a personagem. Ele filma a Kim de um ponto de vista praticamente neutro, transformando a câmera em um olhar frio, julgador mesmo. É muito legal como ele "abandona" a personagem em certos momentos, como por exemplo, na festa de ensaio, e vai simplesmente passear por aquele salão, filmar a alegria pura. E nossa, até nisso o cara é bom demais. E então, vez ou outra, de longe ele mostra toda a inquietação dela com os olhares julgadores que apenas ela acha que estão a encarando. Enquanto pra nós parece apenas egocentrismo, inveja, carência. Claro, já que nesse momento não temos idéia do que já aconteceu, o julgamento que ela diz que sofre provavelmente seja o nosso. E no momento em que ela pede pra fazer o discurso, putz, o constrangimento chega ultrapassar a tela, tamanha a força dessa câmera, dessa situação criada por ele, e por essa atuação magnifica da Anne Hathaway.
Desde o começo ele a filma de cima, mostrando que tem algo errado mas sem dar a real gravidade disso. E é quando ele finalmente revela o o passado naquela reunião que tu sente todo o peso do filme. Não tem como não se sensibilizar, como reavaliar conceitos, como encarar a personagem com outros olhos. E não só ela, todos os outros ganham uma nova perspectiva. A atuação do pai é uma das mais sufocantes que eu assisti. O cara ta foda demais. A qubra de perspectivas na cena dos pratos é um "putz" violento. A barreira que a mãe cria em relação a ela se torna bem justificável, por mais cruél que possa parecer, e é foda ver o esforço que ela faz pra tentar quebrar isso, mas sempre causando uma espécie de asco com uma aproximação maior. Depois da revelação todos os momentos tu se vê pisando em ovos, aquele lugar vira um poço de tristeza escondido no dia mais feliz do mundo. Mas é triste mesmo. O elenco ta maravilhoso. Me surpreendi muito, não tava esperando nada desse nível.

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