segunda-feira, 28 de junho de 2010

The Addiction (Abel Ferrara, 1995) - 9



Não tem como negar que dos filmes do gênero que vi, esse é o que utiliza o discurso mais profundo, mais forte, para tratar do que deve ser o maior dilema dessas criaturas: o alivio do vício em troca de um sacrificio humano. E para tentar responder o Ferrara vai fundo na essência humana, e cavocando nisso o que se revela é algo podre, assustador, e apesar da possibilidade de respostas não ser única, pelo menos é desanimadora na maioria das vezes. O vício abre os olhos, faz com que eles enxerguem o mundo com a insensibilidade que ele merece, que ajam com a frieza que se faz necessário. Isso aqui trás uma das metáforas mais fortes em relação a necessidade de causar o mal, se somos seres essencialmente inclinados pra isso, não seria hipocrisia se esquivar desse sentimento? E será que realmente não somos? E quando digo "ser", é de forma para generalizar a espécie. E nada melhor do que materializar isso com o simbolismo mais óbvio e ainda o mais impactante da vida e morte, o sangue. E o Ferrara realmente valoriza o sangue aqui, o evidência com uma coloração ardida que se destaca mesmo naquela sensacional fotografia em preto e branco. Sim, o discurso desse filme é forte, é interessente, atemporal e não se limita apenas ao tema especificio, ele é muito mais um despidor (wtf?) da alma, essência, que cada um carrega. E isso é muito bom. Agora o que realmente faz eu adorar é esse tom febril para caracterizar o vício, o Ferrara injeta dor neles, faz sofrer, mostra com violência ainda não vista os poréns de aceitar esse ritual, de aceitar a imortalidade, e o que é viver precisando de sangue, consequentemente, de vida, morte. A participação apesar de curta do Chris Walken já seria o suficiente pra colocar o cara no Hall dos melhores atores que pisaram nessa latrina.

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