segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quando Chega a Escuridão (Katherine Bigelow, 1987) - 9,5


Quem diria que seria uma mulher (tri preconceituoso :B) que daria o foda-se mais sensacional aquela mitologia classuda e elegante que é a dos vampiros. Não que eles não tenham classe, apenas a utilizam de forma não tradicional. Aqui eles são bagaceiros, arrotam depois de uma sugada de sangue, lambem os dedos, são como motoqueiros de estrada que tem a imortalidade como aliada, daquele tipo que vão detonando tudo por onde passam com correntes de ferro (só que nesse aqui eles vão de colt e 12 mesmo). Quando o moleque texano é mordido e forçado a entrar pro grupo, eles dão como prazo uma semana para que ele tome coragem e comece a matar pessoas para beber de seu sangue, já que eles não teriam a mínima possibilidade de carregar consigo um cara que ainda estivesse preso a esse tipo de ética mortal. E o foda do filme é justamente isso, a imortalidade, e consequentemente, o afastamento deles com qualquer preocupação que se relacione a finitude, faz com que eles adquiram um pensamento de foda-se mesmo, de diversão all time, e transformem aqueles asfaltos no seus playground particular. O moleque no inicio sente uma repulsa totalmente justificável ao ato de matar para se alimentar, mas conforme o tempo passa, e conforme o afastamento dele com sua raça de origem vai ficando mais evidente, esse tipo de preocupação também vai ficando para trás, é só ver a felicidade dele depois que se safam daquele ataque em certo lugar, mesmo com todo o rastro de morte que deixaram. A imagem de humanos como carne, como gado, como um ser inferior que está aí apenas para te alimentar, vai fazendo cada vez mais sentido. E o que faz a Bigelow ser merecedora de jatos de porra na cara é que essa filha da puta consegue fazer com que nós adquiramos a mesma sensação deles. Os vampiros se divertem tanto à caça de seus quitutes, brincando com a comida, tocando o pavor por onde passam, que fica impossível não se divertir a beça junto. Pelo menos nesse universo que ela criou, o legal são os vampiros, e humanos são apenas fonte de alimento mesmo. Quem não riu horrores na cena do bar? Sério, aquilo é divertido demais, tu quer mesmo é que eles toquem o terror, essa cena aí é a melhor que eu já vi em um filme do gênero. E o Bill Paxton deveria receber todos os prêmios da época, o cara ta sensacional.

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