sábado, 30 de julho de 2011

The Ward (John Carpenter, 2010)



E o véio voltou com tudo. E eu entendo direitinho porque nessa volta ele resolveu optar justo por um filme como esse, já que aqui é realmente como se ele estivesse em casa. O que vemos é um Carpenter apaixonado pelo ambiente de insanidade que ele próprio cria, apaixonado não pelos personagens, mas pelo medo que esses criaram por terem tido aquelas paredes como companhia por tanto tempo. Um Carpenter que por vezes parece se distrair do que está querendo contar, ficando "preso", deslumbrado pelo seu próprio recurso atmosférico, passeando por aqueles corredores simplesmente, mostrando uma ameaça sobrenatural insana estampada em cada canto, sem esconder o jogo, sem enrolação, o demônio já aparece exposto praticamente de cara. E é um demônio com uma aura fantasmagórica equipado com todos as conveniências carnais, como se fosse um açogueiro do além. Aparecendo em qualquer canto não simplesmente pra lhe lançar alguns sustos, mas pra justificar toda a carnificina que insinuam. E sustos... Esse cara que já nos apresentou o inferno tantas vezes, de tantas formas, volta pelo menos mais um vez pra mostrar que sabe uma ou outra coisa da arte de realmente criar sustos.

Ahhh, Carpenter, não demore mais 10 anos pro próximo.

Um comentário:

Pri Zorzi disse...

O cara realmente consegue criar um ambiente muito assustador. A forma como ele filma aquele corredor... E adorei o jeito como ele faz a "coisa" aparecer ao fundo, ou muito rápido, não pra assustar os personagens, mas pro espectador. Em Halloween ele já tinha mostrado que manja desse recurso, mas aqui ele usa com maestria.

Como te disse, não curto muito esse tipo de final, ainda que aqui tenha ficado bem feito. Mas não dá pra negar que o filme é bem marcante, especialmente sob o aspecto audio-visual, e o Carpenter realmente sabe filmar terror.