segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Edgard Wright, 2010)


Que orgulho de antecipar a muito tempo atrás, na época de Shaun of the Dead, que esse Edgard Writgh se tornaria um dos melhores diretores. Orgulho pq acho que isso ta acontecendo. Esse filme aqui não é apenas original, na minha visão ele é revolucionário. Vão tentar copia-lo, segui-lo, mais ou menos como fizeram com Pulp Fiction na década de 90, mas cada um na sua. Um erro de quando se adapta um game é pensar que a única coisa que queremos ver é a histórinha sendo contada na tela, normalmente as adaptações se limitam apenas as cutscene, e pela primeira vez houve um filme todo moldado com a linguagem videogame e perfeitamente enquadrado pra linguagem cinema, a parte interativa dos games, não simplesmente a narrativa, ou seja, o que realmente da a graça. Assistir Scott Pilgrim tem graça semelhante a quando tu realmente joga, o fdp conseguiu mesmo o que vários tentaram e falharam vergonhosamente. Só pra deixar em um exemplo, ele conseguiu deixar as cenas de luta contra os ex extremamente cinematográficas e ao mesmo tempo totalmente gamisticas. Acho que isso se deve pq cinema e game são as mídias mais próximas em semelhança hoje, quem joga sabe disso. E esse cara conseguiu ser o primeiro a aliar com maestria mesmo as duas. Esse filme ainda vai ser considerado como um dos mais importantes já feitos, esperem só.

Machete (Robert Rodriguez, 2010)


O Rodriguez é um dos meus diretores preferidos, acho ele um dos caras mais criativos do cinema, mas aqui em Machete achei que essa criatividade toda que eu sei que ele possui ficou oscilando demais. Até uns 40 minutos eu tava me divertindo pra valer, tava esperando algo que rivalizasse mesmo com Um Drink no Inferno e Planeta Terror (meus preferidos do cara e entre os que mais gosto de todos os tempos), mas logo em seguida o surto de diversão começou a murchar, as piadinhas se desgastar, e a narrativa parou de fluir tão bem. O negócio é que achei que ele foi meio preguiçoso no desenvolvimento de algumas piadas que poderiam ter sido bem mais legais. Por exemplo, A Lindsey Lohan de freira tinha um potêncial incrível pra se brincar, fico imaginando nas mãos de um Tarantino (essa frase toda ficou meio ambigua, eu sei), e com o Rodriguez parece que ela pareceu ali simplesmente pela piada óbvia "ah, a Lindsey Lohan de freira". Ou uma moto com metralhadora giratória vira apenas uma moto com metralhadora giratória, e um padre com duas shotguns nas mãos vira apenas um padre com duas shotguns nas mãos. A idéia é muito boa, sensacional até, mas pouco desenvolvida, pouco explorada, mostrada de uma forma simplista que faz tu apenas lançar um sorriso de canto, e não de fato ficar empolgado com o que ta vendo. E pela forma que eu falei parece que eu não gostei do filme, muito pelo contrário, gostei muito, as cenas boas são realmente boas, como o inicio ou ele escapando do hospital com o intestino do cara, hahahah. Mas teve alguns momentos que eu achei que ele podia ter dado uma caprichada mais, e daí esse passaria de um ótimo filme de ação trash pra um dos filmes mais divertidos ever.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Predadores (Nimród Antal, 2010)


Só pelo plot já me ganhou, já que adoro filmes no estilo: junta uma galerinha foda em um ambiente hostil contra uns bichos mais fodas ainda, e o resultado aqui é um salve-se quem puder delicioso. O filme ganha muito pelo ambiente, que passa muito bem a sensação de habitat desconhecido e totalmente hostil, e pelos personagens, que apesar de nada marcantes, possuem pelo menos características bem próprias e divertidas, totalmente dentro dos clichês, mas mesmo assim muito boas de acompanhar. Os Predadores ainda não conseguem passar uma sensação tão ameaçadora quanto no primeiro filme, mas ainda assim são ótimos vilões. Bem direto, sem firulas, é a negadinha na selva tentando sobreviver dos bichos feios, e o resultado foi bem bom. Não se compara com o primeiro, mas achei do nível do segundo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Harry Potter 1, 2 e 3




Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta (Chris Columbus)

Esses dois filmes iniciais são bem trizinhos e praticamente a mesma coisa. Ainda não revi todos, mas dos diretores que escolheram o Chris Columbus realmente parece ter sido o mais indicado pra contar a história, já que tem tudo a ver com ele mesmo. O cara consegue criar um universo muito gostoso, transformar aquela escola de magia em algo parecido com um mega brinquedo da Disney que tu sempre teve vontade de conhecer, tão sedutor e mágico que faz tu ter a real noção do quanto seria legal estudar numa escola daquelas. E não sei se o trio principal vai vingar na profissão, mas pelo menos no quesito carisma não se tem do que reclamar, conseguem passar de forma surpreendentemente rápida a sensação de trio inseparável e de melhores amigos. Realmente o trabalho de atores ta muito bom, impressão que todos estavam realmente se divertindo e se entregando ao máximo nessa brincadeira fantástica. O que tenho pra reclamar, e principalmente no primeiro, é a CG mesmo. Isso ta grotesco. Nem o play 1 produzia CGs tão toscas, a parte do quadribol no primeiro é constrangedora, chega até comprometer na diversão que a cena poderia proporcionar. Mas de resto, bem leve, bem gostoso de assistir, e flui que é uma maravilha mesmo com um tempo longo pra um filme que foca principalmente um público bem mais jovem.



Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Alfonso Cuarón)

Outro nível, muito mais dark, planos muito mais "europizados". Chegou a ser engraçado quando assisti com a namorada os dois identificando a gritante diferença nesse quesito desse pros anteriores. A fotografia desse aqui é linda demais, digna de prêmio. Hogwarts deixou de ser aquela atração de parque da Disney pra ganhar um ar muito mais sombrio, mais imponente. O que um diretor não faz... Ele mudou absolutamente tudo praticamente não mudando nada. Atores são os mesmos, a decoração do castelo é praticamente a mesma, as características dos personagens também não mudam de forma significativa, e mesmo assim o tom do filme é totalmente oposto, é muito mais adulto e sério. Voltando com o lance dos planos, esse aqui realmente é recheado de alguns planos lindos mesmo. Vai ser interessante acompanhar essa troca de diretores. Ah, e esse aqui tem também a história mais instigante. Se os dois primeiros passam muito bem um ar fantástico e ingênuo da série, esse aqui passa muito melhor um tom emergencial e épico, mostrando uma Hogwarts deprimida e fria, totalmente abalada com os acontecimentos da história. Prefiro bem mais o segundo caso. O melhor até aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 (José Padilha, 2010)


Seja como filme de ação ou pegando o lado político da coisa, esse aqui é bem superior ao primeiro (que gosto muito). Ele como filme é sensacional, quando aquele helicóptero surge sobre-voando o campinho de futebol da negadinha, e logo em seguida o bope desce o morro metendo chumbo na maloqueirada, putz, fiquei com um puta orgulho em saber que esse tipo de cena podia ser feita no Brasil, têm algumas sensacionais. E já o cunho político do filme também é perfeito. Mesmo não curtindo a filosofia de esquerda, assim que iniciou pensei que ele seria muito anti isso, mas pouco tempo depois essa imagem já desmoronou. Aqui não existe sistema ou ideologia que tu possa se agarrar, já que tudo está tão irremediavelmente podre que a unica coisa que o filme te passa é um pessimismo inevitável, no melhor dos sentidos. A cena da blitz é um prêmio delicioso depois de tanto negativismo. E o Wagner Moura é um ator sensacional, o que o Brasil tem de melhor atualmente. A atuação nesse beira o genial. Se o mundo fosse justo estaria nos representando no final do ano no Oscar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Zodíaco (David Fincher, 2007) - 10


Não digo que não exista, mas não lembro outro filme a tratar esse lance de obsessão, frustração, e, principalmente, o tempo, de uma forma tão intensa e magnetizante quanto em zodíaco. A obsessão explicita que cada um dos 3 personagens carrega, cada um a sua maneira, é facilmente contagiada em quem está assistindo. A sensação de tempo escorrendo pelos dedos, de anos passando, de caso dando voltas, estagnando, revigorando... te atinge com tamanha intensidade que em certos momentos causa até frustração, não no sentido negativo quanto ao filme, mas sim pelo envolvimento com ele, pela cumplicidade que ele consegue atingir entre personagens/espectador, te transformando em mais um obcecado, dividindo o sentimento que cada um deles adquirem quando o tempo passa e nada se resolve. O filme é exaustivo, no melhor sentido que isso pode carregar. é de luxo isso aqui.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Viagem Maldita - sem cortes (Alexander Aja, 2006) - 10




Finalmente consegui rever, e do trio de horror mais comentado da década passada (esse, Abismo e Wolf Creek) realmente é o melhor. Eu lembrava que era violentaço, mas me surpreendi o quanto nessa revisada, acho que não tinha assistido a versão sem cortes. A cena do massacre familiar é antológica, cruel demais, crua demais. A câmera do Aja é muito raivosa nesse aqui, parece aqueles cães loucos espumando, ele filma a selvageria em cima. Mas apesar da direção agressiva ainda tem espaço pra ele embelzar tudo com uns planos nada comuns em filmes do gênero, fotografia sensacional também, levando esse aqui pra outro nível. Quem curte mesmo terror, da década passada esse é o mais obrigatório pra coleção.