terça-feira, 14 de julho de 2009

Diário dos Mortos (George A. Romero, 2007) - 9


Um recomeço pra série, mas sem abandonar o que ele havia iniciado em Night. Na verdade o principio é o mesmo: os mortos levantam do nada e começa o banquete ininterrupto. Sem mais explicações. E como nenhum filme do Romero é feito apenas para vermos a carnificina rolando solta, a habitual critica dele aqui continua afiada como sempre. Se em Despertar dos Mortos somos rebaixados ao nível literal de mortos vivos, pessoas corrompidas pelo consumismo que vagam sem motivo qualquer por um shopping center; e em Dia dos Mortos ele brinca com o rigor injustificável do militarismo, de ao em vez nos sentirmos protegidos nos sentimos muito mais ameaçados... Nesse aqui a birra vai para passividade e frieza humana diante das barbáries que vemos pela tela da TV, monitor ou qualquer coisa do gênero. Como na maioria dos filmes filmados com a câmera em primeira pessoa, o personagem que a carrega não foge do estigma de “o idiotão que vai ficar filmando tudo sem qualquer motivo aparente não importa o que aconteça”, mas ao contrário da maioria, essa é justamente a intenção do Romero, já que esse idiotão é justamente o nosso reflexo. É como se ele usasse a tela da câmera como uma espécie de escudo para o sangue que jorra das pessoas, como se ele estivesse em um mundo alternativo, onde encarna um espectador passivo da situação para tentar se redimir da culpa do que acontece a sua volta, igual a quando vemos protegidos pela tela da televisão milhares de pessoas morrendo por guerras, passando fome e etc. Cada morte se torna apenas mais uma morte.Mas criticas a parte, o filme é tenso pra caralho. Já no inicio, quando o personagem encarregado de segurar a câmera está filmando um filme caseiro, chegamos a conclusão de que ele não é um brilhante diretor, e o Romero usa o filme todo pra brincar com isso. Ele cria uma atmosfera absurdamente tensa e assustadora e joga o sujeito da câmera no meio dela no sentido de “vá lá, se vire”. É como se um diretor medíocre ganhasse uma ingresso para visitar o inferno na companhia de sua câmera. Claro que esse inferno é criado pela genialidade do Romero, então é como se existissem dois filmes: o Romero tocando o inferno por onde passa, e o cara filmando esse inferno.Poderiam até criar uma nova trilogia com esse recurso em primeira pessoa, fica a sensação de que muita coisa legal pode ser mostrada desse jeito. E o filme tem um dos suicídios mais geniais da história, hilário mesmo.

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