
Não existe obra mágica. Um quadro, por mais maravilhoso que seja, é apenas um amontoado de cores contornados por uma mão. Se uma outra pessoa utilizar os mesmos amontoados de cores e contornos de mão, a obra torna-se tão real quanto a original. Á mágica é criada internamente pela pessoa que enxerga, qualquer estimulo externo é apenas estimulo. O falso e verdadeiro se confundem, tudo que é falso é verdadeiro, e tudo que é verdadeiro é falso, e ambos são ambos. Somos apreciadores de formas, imagens, etc. Criamos significados para elas que elas realmente não possuem, pelo menos não isoladas. Criamos uma mentira para uma forma, para criarmos uma verdade para nós. Nos deixamos enganar pela nossa própria mentira para conseguirmos torna-la verdadeira. Orson Welles brinca o tempo do quanto somos reféns voluntários da mentira. Se não fosse isso nada teria sentido, inclusive o cinema. Ele cria a maior mentira da história do cinema, para criar o cinema mais verdadeiro da história, a síntese do que apalavra “cinema” representa. Falam muito de Cidadão Kane, mas a obra máxima do cara é essa aqui, com certeza. E nem preciso ver os outros pra saber disso. :B

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