
Me surpreendi bastante. De uns tempos pra cá me tornei menos fã do cara do que imaginava ser, na verdade os filmes dele não envelheceram nada bem na minha cabeça nem nas revisadas, não sei se vai ser o caso desse aqui, mas acho bem difícil. A atuação do Day Lewis com certeza é a melhor coisa do filme, a atuação, antes mesmo do que o personagem. A impressão que tive quando chegou mais ou menos na metade é que já sabia tudo do personagem, o Day Lewis de tão monstruoso conseguiu sintetizar em poucos minutos toda a essência dele, aliás, acho que no primeiro discurso onde ele reune o povo para falar dos beneficios de o contratarem já da pra sacar qual é a do cara: o sujeito que é movido pela ganancia, não consegue se vincular afetivamente com ninguém e inevitavelmente vai acabar como amante de seu poço de dinheiro, sozinho. O problema é que isso fica muito claro em poucos minutos, o que faz com que algumas partes pareçam mera encheção de linguiça, e fora isso o Anderson opta em certas partes por explicar a personalidade do personagem, o que é totalmente desnecessário, já que a atuação do Day Lewis, as atitudes dele e o desfecho deixam bastante claro, o que tira e muito o brilho do personagem (não do Day Lewis). Mas mesmo com esses probleminhas que me incomodaram um pouco, o filme não se torna cansativo graças a direção ótima do Anderson (cada enquadramento que pqp, ta entre as coisas mais lindas do ano), e, de novo, a atuação do Day Lewis. Por mais que o personagem fique extremamente óbvio, todos os momentos que ele está em cena é um espetáculo de atuação.
Gostei também do carinha que faz o Eli e a atuação histérica dele, principalmente aqueles gritinhos afetados, que me pareceu ser a maior tiração de sarro com a própria igreja, que mesmo o personagem sendo tão ganancioso quando o do Day Lewis, é ao mesmo tempo extremamente patético e humilhado em praticamente todas as cenas em que aparece (de novo, a explicaçãozinha final não precisaria existir para sabermos disso).
Mas o final final, na sala do boliche, onde acontece aquela perseguiçãoizinha hilária com bolas sendo arremessadas e tudo mais... pqp, me lembrou muito Kubrick aquilo. Outra ponto alto que achei foi o humor, o filme em grande parte é muito mais engraçado do que dramático, o que ajuda a fluir melhor já que o discurso é meio repetitivo.
Enfim, extremamente bem dirigido e com uma atuação fenomenal, inesquecível. Já virou meu preferido do diretor.

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