terça-feira, 14 de julho de 2009

Memórias (Woody Allen, 1980) - 10


Existe uma frase em A Outra (do Woody também), onde a personagem questiona se “lembranças são experiências que guardamos para sempre, ou experiências perdidas”. E é com isso (também) que o Woody Allen flerta nesse aqui, do quanto somos prisioneiros dos momentos que consideramos os melhores da vida, e a incapacidade de oportunizarmos viver algo semelhante com outras pessoas devido ao pensamento pessimista de que nada vai superar o que já passou, e ninguém superar quem já se foi. Ele transforma as memórias nesse filme como correntes presas pelo pescoço com uma bola de aço na ponta, o sentimento de nostalgia aqui é tratado como uma sentença, como um peso que somos obrigados a carregar e impossível de se desfazer, que nos impede de tentarmos criar qualquer tipo de sentimento semelhante no futuro. E ele faz isso no meio de muitos risos, muita autocrítica, já que não são raros os momentos em que personagem questiona, sempre de forma ácida, o quanto pseudo são suas indagações. Mas nem por isso o filme perde o gosto amargo que deixa na boca.


Mas algo que não se pode deixar de comentar quando se fala em um filme como esse, é a forma GENIAL que o personagem encontra para rever seus momentos. De uma forma totalmente inesperada, como uma caminhada sem aparente significado, ou no meio de uma multidão de entusiastas pelo seu trabalho, ele começa a relembrar pequenas passagens de sua vida, e muitas vezes as confunde com a própria realidade vigente, e em algumas outras, até mistura lembranças que aconteceram em ocasiões diferentes, com pessoas diferentes, em um único momento, transformando em uma pensamento inteiramente novo mas não menos nostálgico, e, por certas vezes, deprimente. Coisa de GÊNIO.

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